De Setembro de 2004 a Janeiro de 2005, realizou-se em Paris
(França) o seminário do programa de pesquisa Vox Internet, paralelamente
aos trabalhos da Reunião de Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação
(Genebra, Dezembro de 2003 – Tunis, Novembro de 2005) da Organização das
Nações Unidas, com o apoio do Ministério da Pesquisa, integrado ao
programa DEVAR / TEMATIC (difusão, experimentação, valorização da
pesquisa) da Maison des Sciences de l’Homme (MSH) de Paris. Este
seminário, organizado em oito seções temáticas, tinha por objetivo apoiar,
estruturar e tornar mais visíveis as pesquisas francesa e européia sobre a
governabilidade da Internet, favorecendo assim a passagem de uma sociedade
da informação a uma sociedade do conhecimento. Durante cada uma das
seções, o ponto de vista de um diretor de empresa ou de um diretor
administrativo foi confrontado com a abordagem acadêmica dada ao tema em
questão. Um relatório científico foi estabelecido no final dessa série de
seções. Ele responde à primeira etapa de um trabalho de identificação e
processamento da problemática de governabilidade da Internet, devendo
prosseguir em 2005, e até mesmo depois. Dentre essas seções, uma foi
dedicada às “línguas e culturas da Internet”, tendo sido realizada a
partir de três eixos principais: · A Internet como expressão de tensão
entre centralismo e diversidade · Uma normalização internacional em forma
de esboço · A Internet, freio ou trunfo da comunicação intercultural e
lingüística? A primeira constatação foi de que a árvore DNS, ou seja, o
sistema de nominação em Internet, compõe-se unicamente de termos
anglo-saxões, tendo como conseqüência inevitável uma imagem deformada das
culturas e línguas do mundo, o que limita a liberdade de informação e
comunicação. Os participantes também discutiram sobre as diferentes
possibilidades de uma modificação das políticas de normas em matéria de
multilingüismo, que visasse uma conciliação tanto das necessidades de um
reconhecimento internacional dos protocolos quanto da importância de um
desenvolvimento local. A seguir, abordou-se a questão de uma normalização
internacional dos protocolos. Surgiu, assim, mais uma dificuldade, já que
trata-se de obter um consenso das comunidades de línguas no tocante a um
script e um conjunto de caracteres comum. O desafio é grande,
colocando-nos diante de numerosos problemas técnicos, jurídicos e de
interoperabilidade. No final, um dos participantes propôs um âmbito de
trabalho no qual existisse uma operabilidade multilingüe. Trata-se de uma
ferramenta de trabalho e de posicionamento das ações cujo objetivo é
abarcar uma gama bastante ampla das necessidades e das áreas. Quatro áreas
foram abordadas e algumas ações foram propostas para cada uma delas: 1.
Normas e padrões 2. Equipamentos e periféricos / aplicações informáticas
3. Conteúdos e serviços 4. Políticas, estratégias e legislações No final
da seção, várias pistas de pesquisa foram apresentadas, a saber: ·
Continuar os trabalhos de normalização internacional sobre os diferentes
protocolos e as versões de codificação das línguas naturais. · Prosseguir
os trabalhos sobre a ergonomia dos terminais no tocante aos scripts e
teclados disponíveis, bem como sobre a apropriação das ferramentas
informáticas e dos programas informáticos adequados. · Desenvolver
trabalhos de cartografia e “cibergeografia” da Internet associados à
metrologia e às medidas dos fluxos, se possível. |